sábado, maio 01, 2010

O não dito

Precisei dormir por três dias sem parar e ficar quase um ano te deixando escondido no canto da cabeça. Fingi que não te via quando aparecia por medo bobo daquele turbilhão. Admito sem a menor vergonha: não aceitei o fim. Não concordo e também não quero saber o que você pensa a respeito.
Não há nenhum problema em sentir tanto carinho assim por alguém. E não importa que você tenha batido na madeira ao dizer sobre namoro. Conheço uma garota que consegue olhar todas as pessoas nos olhos. Ela escolhe a dedo quem pode ou não conversar com ela.
Eu fujo de olhos desde você. Saio mentindo leviana e bela em prosas bestas e ligeiramente poéticas. Tenho muito medo de contar métrica e bater carimbo. Mas acho que poesia exige sim padrão e ritmo – mesmo os ritmos inumeráveis e os padrões inéditos.
Foi você quem primeiro disse que eu precisava escolher. Mas eu, toda leve, saí boiando na corrente e nadando sem destino. Saí pelo mar, me encharcando de sal pra me coçar depois em casa antes do cloro.
Sei hoje que seu ombro ainda existe e que por pior que você seja e mais feridas que tenha, não vai negar um pouco de ternura.

7 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

O (SE), o (Não dito), pode se tornarem eternos fantasmas literários!

Juan Moravagine Carneiro disse...

O (SE), o (Não dito), pode se tornarem eternos fantasmas literários!

: A Letreira disse...

oi moça, esta gota transborda..

Inês disse...

Menina, uma pergunta: trata-se da mesma pessoa sempre? Vixe!
Beijo!

LÍVIA COR. disse...

gosto de tudo q vc escreve.
serio msmo

Matéria Escura disse...

pow, muito legal este texto. muito bom.
tudo é convenção, até a não-convenção.

Rosa disse...

orgulho dessa menina! [sem contar a identificação com essas palavras!]. você vai longe! =**