segunda-feira, dezembro 21, 2009

Meu caso com a playlist

Impressionante a cadência dos ritmos em uma playlist. Algumas coisas simplesmente encaixam e o automatismo do computador capta muito de sentimento. Tanto mais que a tranca da porta. Tanto mais que os carregadores ou as tomadas.
Estou elétrica.
Há quatro anos shampoo anti-caspa significava algo completamente distinto do que sinto agora. Não são caspas. Há uma semana ver o dia nascer tinha outro sentido. Sempre esperança.
Desde pequena.
Eu costumava pular na barriga do meu pai para olhar pela janela os começos de claridades. Nunca fui lá muito de dormir.
Eu sou elétrica.
Dizem por aí que existe algo de pilha correndo com meu sangue. Mas a bateria aqui precisa de um pouco de férias e de sentir por fora o que sente por dentro.
Ontem eu chorei.
Impressionante que o Windows consiga prever o que eu quero ouvir. Primeiro a Gal, depois o Chico. Por que Anos Dourados significa mais do que qualquer shampoo. E os cheiros dignificam as coisas. Significam a pele.
Algumas coisas simplesmente encaixam e o automatismo do tempo não vai levar nada de esperança. Nem que o dia nasça. Nem que o tempo passe. Nem que as coisas todas acabem e eu precise começar de novo, do zero, sem charme.
Há quatro anos shampo anti-caspa significava uma pessoa exata. Conheci Fabiana cheirando-lhe os cabelos e dizendo ter certeza que aquele cheiro era o mesmo que vinha de outra pessoa. Não é a caspa.
Eu agora uso shampoo anti-caspa e o meu travesseiro tem cheiro de shampoo anti-caspa, manga e suor.
Tudo tem andado tão quente que volta e meia chove.
E eu não gostava de chuva, até descobrir que era eu quem chovia.
Depois o dia nasceu.
As coisas todas acabam em solos de guitarra. Magistrais.
Eu nunca aprendi a tocar piano.