Fiquei procurando em mim aquela ruga que era sua, as bolsas
embaixo dos olhos que eram dele, mas estou nova. A genética só me deu a barriga
e nem os peitos me salvam a vida. Mas você, mesmo deposta, deu seu jeito de
dizer: siga, minha filha, me deixa aqui, eu estou bem.
Ainda procuro em mim as suas bochechas, a sua cor, seus
traços. Não sou você nem tenho tanta paciência. O sonho não me disse que ela
foi construída, mas você me disse aquele dia perto do espelho:
_ És uma batalhadora, minha filha. Igual à sua avó.
Sou uma batalhadora, vózinha. Não tá sendo fácil, não, mas
você me disse pra te deixar quieta e eu vou deixar, vou fazer bolo, vou seguir
em frente, vou tentar aplicar aquelas coisas que aprendi com você.
É na frente que a gente anda, né? Quem quiser que venha atrás
porque você foi igual uma japonesa ascendendo os caminhos.
Eu vou também.
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