quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Tia Paquita

Baseada em fatos reais



Espanhola de família, Paquita cresceu no interior do estado do Espírito Santo. Casou-se com um filho de italianos, Lucas. Conheceram-se por que ela quis. Era dele a voz bonita que dizia "senhores passageiros com destino a não sei onde, embarquem na plataforma em cinco minutos".
Paquita ouvia aquela voz e quis saber quem era o dono. Foi da cabine ao altar.
Lá pelas tantas, resolveu aparecer na tv uma tal Xuxa que cismou em chamar suas assistentes todas de paquitas. Foi aí que começou a zona.
A Paquita tinha que explicar sempre que era Paquita legítima, de cartório, e aguentar espantos ao dizer o nome. Sempre lidou muito bem com isso, apesar de tudo, exceto nos dias de mal humor.
Paquita está já na casa dos mais de cinquenta menos de sessenta. Fez inclusive uma tatuagem dia desses, quando estava de saco cheio das próprias pernas sem figuras.
E nem faz muito tempo, ela foi ao banco receber a aposentadoria. Chegou lá, enfrentou fila, perdeu um pouco da paciência e finalmente foi atendida. Deparou-se com um desses caixas engraçadinhos.
- Mas é Paquita mesmo?
- Sim, Paquita.
- Da Xuxa?
- Claro! Aposentei-me, vim receber.
Então andou dois passos para trás, pôs as mãos na cintura e cantou em alto e bom som, no meio do do banco com as pernas em pêndulo, uma, depois a outra, em chutes altos.
- Ilarilariê ô ô ô! Ilarilariê ô ô ô! Ilarilariê ô ô ô! É a turma da Xuxa que vai dando o seu alô!