quarta-feira, fevereiro 18, 2009

(Í) caro II.

Senti as asas mais pesadas ainda. Era de se esperar que eu não me acostumasse em dois dias, mas estava entrando em desespero sem poder sair de casa nem nada. A desculpa de intoxicação alimentar já não colava no trabalho.
Por Deus, quem consegue vomitar tanto?
Era melhor dizer qualquer coisa do que sustentar ao patrão que eu não queria sair de casa por ter adquirido involuntariamente um belíssimo par de asas de cera.
Andei de um lado para o outro com todas as dores, depois fucei minha bolsa e achei um último cigarro. Acendi e me arrependi profundamente. Na primeira tragada senti meus dentes esquentando e amolecendo.
Joguei logo fora o cigarro e fui ao espelho.
Então, eu tinha dentes de cera.
Fiquei nua diante do espelho checando cada parte minha. Eu sou clara com carnes firmes e fico muito bonita com asas.
Meus dentes também viraram cera e as unhas pareciam cera ao meu tato.
Acho que agora tenho ossos de cera.
Tenho muito medo.