quarta-feira, dezembro 19, 2007

Mesa de bar

Ele pegou nas minhas mãos e disse que eu devia parar de brigar com ele. Pensei que ele não tinha razão e que eu deveria continuar gritando, como era costume. E foi aí que Estevão me acertou em cheio:
- Clara, chega disso. Sabe o que estamos parecendo? Dois namorados brigando no meio de um bar.
Pensei que aquilo era aterrorizante. Eu não era namorada de Estevão. Bem quis ser um dia, mas a idéia então me apavorava. Por que, então, brigávamos? Ele não me devia nada. Eu não devia nada a ele. O que nos prendia eram os meus gritos e o jeito malandro dele.
Não adiantava. Eu continuaria brigando e continuaríamos sendo namorados sem admitir. Nenhum dos dois podia se assumir fraco a ponto de se comprometer. Nenhum podia assumir compromisso.
Éramos nós estreitos nós, mesmo laço frouxo.