sábado, dezembro 22, 2007

Mariana XVIII

Mariana tinha decidido ficar quieta
O óbvio andava tropeçando um bocado e ela se irritava mais e mais.
As malas estavam prontas pra Mariana ir pra Bahia ver o sonho de sempre e dar um sorriso a mais.
Depois de Lucas e números que não valiam, os galhos de Mariana eram previsíveis.
Ela tinha dito que queria algo a mais.
Ela ficou quieta e ele veio.
Mariana, que continuava sem sair do seu costumeiro galho óbvio que andava confortável apesar dos tropeços, não tinha um nome pra dar para o galho novo em que ela esbarrava volta e meia e com o qual ela até brincava.
Mariana não conseguiu dizer pra mim nenhum adjetivo sobre ele.
Sabia que ele era agradável. Tinha frutos, ao contrário dos outros galhos.
Parecia firme e ainda assim ela não ia de vez pra lá.
Nem vai.
Pelo que sei de Mariana e seus medos que prosseguem mesmo com os anos passando,
ela vai se misturar feito areia e vento ao sonho
e depois vai voltar aos cantos óbvios
talvez se desmembre e busque a outra flor que tem estado presente, mas que ela não comenta.
Mariana tem medo de galho fixo, lembra do álibi e do bicho-papão.
Mariana sabe que o galho novo não é nenhum dos dois, nem é óbvio, nem é sonho.
O problema é que ela ainda não sabe o que é.
Eu disse pra ela que é aí que mora o perigo.
(É que Mariana está perdendo aquele medo doido e apertado, mas ainda não pode saber, então sejamos discretos, que aí ela volta pra boca do leão...)

5 comentários: