segunda-feira, abril 13, 2009

Post Coitum

Foi tudo verdade e representação ao mesmo tempo. Os pés meio inchados, meio bestas, meio moles, ficaram misturados sem que se visse quais pernas eram donas de delicados e rústicos pés.
Olhava apenas para baixo pensando em como podia tanta dor num pé tão contente. Talvez fosse culpa do vinho com salto da noite anterior em que não havia outros membros que não fossem seus.
Teve então uma ânsia análoga a ânsia dos amantes românticos em se encontrarem. Precisava ir para casa botar os pés de molho e ficar longe pra fixar o resto.
Os vasos sanguíneos sentiam-se parte de uma coisa maior e universal e as cores todas precisavam ser lambidas como tijolos e pedras de chão.
Os pés doiam e ela sentia-se meio estranha, meio sangrando, meio apertada e mole - mesmo sem corte, prensa ou sono.
Continuaria andando com poses e fingindo tudo, menos a barriga que precisava esconder e não escondia.
Seriam cigarros que lhe queimariam as beiras e fariam da ânsia de casa uma ânsia de gente.
Ela sempre dizia que seu fumar era fuga de timidez.

6 comentários:

Ricardo Aiolfi disse...

seus textos são perfeitos *____*


saudihsaudiohasd


falando de pés
eu lembro da minha mãe
ela reclamava muito dos pés dela quando ia em festas
mas ela sempre sorria xD

YullyAngel. disse...

E qual pé que nao doi, conte-me?
rs

Gostei.
Bjus ^^

Marcel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcel disse...

A Aline tem uns textos que têm um "sei lá o quê" que é muito digno.

Euza disse...

depois de andar tanto por BH, não ha pé q nãao doa.Bem feito

darsh. disse...

já falei pra vc largar o cigarro.