domingo, janeiro 06, 2008

Crônica de verão

- Cocada! Cocada! Oooooo cocada! - da rua, o homem grita.
- Cala a boca! - do andar de cima, grita voz de criança.
- Quem foi? - Da mesa de almoço alguém pergunta entre risadas.
O menino estava bravo por que eu tinha desligado o playstation dele. Só puxei a tomada. Tinha sido sem querer, mas ele tinha ficado extremamente bravo. Tinha chegado numa fase difícil do jogo e uma alma sem coração tirou dele o mérito. Eu sou a vilã dessa história, por acidente, é claro - tudo culpa da alma desastrada que meu corpo carrega ou do corpo desastrado que minha alma possui.
Enfim, o barraco estava armado e o avô dizia que videogame não é coisa de praia e que ele iria esconder o t. Então eu era apenas um pau mandado que tinha desligado o playstation pq meu avô mandou.
Sei que os dois meninos choravam e o mais velho me queria ensinar a olhar quando o jogo estava ligado e quando não estava. Fiquei brava. Já tinha dito que tinha sido acidente e que não era mesmo por querer. Desliguei a tomada por que procurava um lugar pra carregar a bateria do meu MP4. Não fiz por mal, sou simpática sendo vilã.
Briguei com o menino dizendo que só ia olhar depois que almoçasse e ele que esperasse. Ora! Tinha dito já agumas vezes que tinha sido sem querer. Ele chorou. Devia pensar que eu faço parte de alguma corrente do mal.
Na mesa de almoço me mandaram escrever a crônica e eu disse que vinha à "Han louse". De repente, não mais que de repente, deixei de ser a vilã da história e passei a ser a prima amada. GTA é mais legal que playstation.