quarta-feira, novembro 14, 2007

Hamlet

Ele disse que cresci. Disse que o corpo mudou e a voz e a cara e o jeito de me vestir. Talvez eu tenha mesmo perdido um pouco do pudor que eu tinha de me ser. Ora, não sei qual o problema nisso. Crescer não é como construir personagens pra teatro. Exato oposto. Desconstrói-se a princesa de conto de fadas e constrói a mulher. Até aí não sei pra onde vai e de onde vem e nada.
E o depois também não sei.
E sentimento não é de se saber.
Ela disse que psicólogo deve ganhar uma grana sem resolver os problemas dos outros. Aí eu pergunto se os outros não devia saber resolver seus próprios problemas.
Todos somos Atlas e temos que carregar nosso mundo nas costas.
Crescer é fazer escolhas, uma terceira pessoa cujo sexo não me lembro disse.
Então eu devia ganhar um martelo e sair quebrando todas as dores e estourando bolhas de felicidade.
Agulha talvez fosse mais eficaz.
E ficas, fixas, fichas e sentas.
A segunda pessoa eu não sei usar bem. Ou sei? Ambiguidadegramaticaldespropositadaeproposital.
No fim, todo poeta é um inconseqüente num mundo de letras e sons.