domingo, maio 20, 2007

Mariana XIV

E Mariana entrou numas de não saber mesmo o que fazer
Ela me disse que já não pode fazer nada.
E todo aquele medo pulsa forte dentro dela de uma vez só.
Mariana pulsa medo do medo de tudo dar certo.
Mariana pulsa nesse clímax de história pela metade.
-E o final?- O óbvio perguntava pra ela ao lado dela
Era hora de assumir o sim ou dizer não.
E a dor do outro dia tinha virado líquido.
Mariana era angústia e tensão.
Mariana era todo sentimento do mundo presa e solta na palma da mão.
Ela era o poema que dava gosto àquela narrativa.
E ele era a chave confusa de tudo.
Ela queria um telefonema, mas ele não ligaria pra cobrar nada dela.
E ela sabia que qualquer oi seria inútil até o dia de amanhã.
A história tomava proporções absurdas e lindas.
Mariana sabia quase nada e não me falava nem o que queria.
E eu ficava tentando ser o chão que Mariana tinha perdido por conta de palavras que o óbvio nem lembrava ter dito.
Eu queria ser base do que não me diz respeito.
E Mariana queria carregar o mundo nas costas, todo sentimento do mundo nas costas.
Drummond ela não lia mais.
E Bandeira já não podia dar resposta que não viesse de “Belo belo”
Vida noves fora zero
E não tenho tudo que quero
E na poética Mariana perdia o lirismo dos loucos
Ela queria o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados.
Mas ela não quer saber mais de lirismo, nem de libertação
E nada tem, pra não ter tudo.