sexta-feira, maio 04, 2007

Mariana XIII

Mariana se sente como um bichinho
e na verdade, ela não sabe bem o que pensar.
E lembra de onde vinha todo aquele medo que ela disse já ter perdido
e que perdeu.
Talvez se não tivesse perdido, e se não fosse criança vulgar, ela não ficasse como está.
Mariana era mais Mariana que nunca.
E vestia sua carapuça à Nabokov.
Era hora de xingar, não era?
Era hora de aceitar que o tempo passava e toda aquela coisa da teoria da relatividade
Rápido demais, ela diria.
Estava sendo mastigada pelo leão.
Estava no escuro, então.
Perdida numa óbvia e transparente escuridão.
Havia algum reflexo de luz.
O ar condicionado condicionava toda palavra.
Mariana sentia um frio que não queria sentir.
Ela queria o conforto de um abraço.
Ela queria fugir ou encarar tudo de frente.
Naquela transparente escuridão ela não sabia onde tinha se perdido.
Era Mariana quem estava ali.
Era Mariana quem tinha dito sim.
Que voltasse ao não, então, e perdesse o ciúme vão.
Medo de escuro no escuro
ênfase horizontal.
Mariana tinha vontade de colo.
E tinha saudades da lua, e de falta de dor.