segunda-feira, outubro 09, 2006

Introdução ao charme na visão de uma mulher, parte I


Introdução de “Pagu”, ao fundo. Entra a mulher no meio do palco.

Mulher- Essa coisa vai além do corpo. É uma questão de charme. Charme ou intenção... hoje, pra VOCÊ, eu posso ser a mulher menos sexy do mundo, mas amanhã... (anda de um lado para o outro, por todo palco) escolho uma roupa que me emoldure bem o corpo, pinto os olhos, pinto a boca... vale mais que plástica, sabiam? E essa coisa de pensar que todos os homens são iguais é burrice. Mais burrice ainda é ter em casa sem modelos diferentes de cartas de amor pra se passar pelo amante ideal. (Pausa) O pior é que eu ainda caio nessa! Tem que entender que não há manual de instruções... eu sou mulher!!!! (estende o braço e mostra os pulsos) aqui tem carne, tem sangue, tem ossos. Mas também tem TATO. Isso, de paixão, pra mim, é uma questão de instinto. De sentido. Sim. Os cinco sentidos servem para defesa e procriação da espécie.

Entra, no palco, o homem e fica de canto, parado, observando. Ela olha na direção dele. Ele olha da direção dela. Andam pelo palco, se desviando e perseguindo. Ela levanta uma mão e ele fica estático.

Mulher- Como aqui, tudo não passa de uma encenação, eu tenho poder sobre ele. Poder total. Vamos usá-lo então para fins didáticos. Como todos podem ver, este é um espécime de gênero masculino da raça humana. Ele é capaz de tudo. Todo espécime da raça humana é capaz de tudo. (para o público) não venha dizer que não. Se eu te entorpeço com álcool ou outra droga, nem de si você tem controle. É sim, capaz de TUDO. Ele pode agir de duas maneiras-base. Elas se destrincham em várias. Pode ser, tradicional ou moderno. Primeiro, o tradicional.

Apagam-se todas as luzes e o homem e a mulher se dirigem à cantos opostos do palco.
Acendem-se as luzes, ao som da musiquinha do closer e os dois se cruzam.