segunda-feira, setembro 27, 2010

medo

That eyes. Keep looking me from the dark. From everywhere. Não sei dizer ao certo de onde vieram, como chegaram. Que força tem, that eyes. Eu sei que em foto os olhos parecem densos. Ficam me desnudando pelos olhos sem sequer existirem. Pictures. Fantasia.
Cada vez que olho parece que li um conto novo de Clarice Lispector. Me pegam os olhos pelo esôfago. Pelo estômago. Pelos olhos. Os olhos me fazem pura azia e pêlos eriçados.
Preciso parar de deixar pontas pelo mundo, like that eyes.
E todos os sentidos parecem que se submetem aos olhos novos. Os olhos velhos.
Não posso com contato real. Não estou pronta para de novo tanta ficção.
Que tudo então se desmanche e saia do meu tórax. Que saia do meu tórax. Que não exista raio laser.
Posso exitar?

quarta-feira, setembro 22, 2010

Primavera

Se enfia de cabeça em mais uma história. Poemas refeitos, quadros expostos. O mesmo caso de antes de todos os outros casos.
i'm sixteen.
Soam então saxofones bonitos e sonoros.
A praia agora tem areia. Não dá mais pra sentar na calçada e esperar onda nas costas. Céu aqui azul.
Agora tem piscina e a realidade é toda fragmentada.
atravanco na contramão.
Do you believe in love?

quinta-feira, setembro 16, 2010

Quando a gente existe e o mundo fica sendo resto

Quando vem, a mão é lógica. Óbvia óbvia. Parece talvez algodão. Parece que o lugar é mesmo a pelanca atrás da cintura. Parece que pode. Parece que é de casa. Parece que é mão e que é parte e que é dele e que é mais meu ainda.
Consciência de corpo parece que só existe quando existe aquela mão. Toca, assim, tão natural como se fosse língua.
Então ele inventou meu corpo quando apareceu pela primeira vez. E cada pedacinho de unha só existiu depois de fincar a pele branca e lisa, quase sem pelos. E o sovaco também nem tinha cheiro. E os dentes se fizeram mais fortes.
E eu existi. Existi tão inteira em espasmos. Existente. Desistente.
Quando vem, a mão não erra. Dança, vacila, escorre, encosta, se fixa, passeia, volta, mora.
Ah se morasse mão aqui e a gente misturasse um no outro as peles, as mucosas e todas as gotas de saliva!
Vem a mão e eu fico querendo bater no liquidificador.